02/04/2003 Contaminação no Rio Paraíba deve chegar hoje à cidade e prefeitura decide pela manhã se corta a água dos 500 mil moradores. Campos montou um esquema especial para enfrentar a partir de hoje os problemas causados pela contaminação dos rios Pomba e Paraíba do Sul, que já atingiram cinco cidades e um distrito. A prefeitura e a Águas do Paraíba, que administra a distribuição na cidade, decidem hoje de manhã se interrompem o abastecimento. Desde ontem à noite a cidade está em estado de alerta, analisando a água a cada meia hora e pronta para desligar o sistema de fornecimento em caso de indício de contaminação. De acordo com a prefeitura, se o sistema de distribuição
for desligado pela manhã, a água armazenada é suficiente
para atender à população normalmente até amanhã
à tarde. A contaminação foi causada pelo vazamento de produtos químicos da Fábrica Cataguazes de Papel, em Cataguases (MG). Aproximadamente 1,2 milhões de metros cúbicos de enxofre, soda cáustica, liquinina, sulfeto de sódio, hipoclorito de cálcio e antraquinona armazenados em tanques, vazaram para o Rio Pomba. O rio abastece 39 cidades de Minas, além de Miracema, Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Camboci e o distrito de Portela (em Itaocara), no Estado do Rio. Ontem, a mancha escura e com espuma chegou ao Rio Paraíba, e o abastecimento em São Fidélis foi interrompido. Em São João da Barra, que fica depois de Campos de acordo com o curso do rio, o abastecimento foi cortado pela Cedae na noite de ontem. Embora a mancha não tenha atingido a cidade, a medida é uma precaução. No total, 136 mil pessoas estão sem água no Noroeste e no Norte do estado. Se Campos tiver o fornecimento fechado, o número passará de 600 mil. O desastre ambiental matou peixes e destruiu a vegetação. Os produtos são tóxicos e representam risco para o homem. Cadastramento para facilitar ações na Justiça
Gado retirado da área ribeirinha A produção leiteira da região é de 186 mil litros diários. Produtores estão preocupados com os possíveis prejuízos. As cooperativas estão usando poços artesianos e caminhões-pipa para continuar funcionando. Para evitar que o rebanho beba água contaminada, produtores retiraram os animais das áreas ribeirinhas e levaram para pastos mais altos, com açudes. Em Santo Antônio de Pádua, a Cooperativa Agropecuária conseguiu ontem manter a produção de 25 mil litros diários de leite coletando água da Cedae em Itaocara, a 22 quilômetros. “Pelo que levantamos até agora, os açudes para o gado só têm água até quinta-feira”, disse a presidente da Cooperativa, Valéria Kezen Leite. Na zona rural de Itaocara, a preocupação maior é com as plantações de hortigranjeiros, especialmente tomate. De acordo com o presidente da Cooperativa Agropecuária da cidade, Paulo César Alves, a irrigação foi suspensa. “Jiló, quiabo e pimentão agüentam até cinco dias sem água. Já no caso do tomate, sem irrigação a perda pode ser total. A sorte é que a maior parte das lavouras não usa o Rio Pomba para a irrigação”. (Colaborou Simone Noronha) Fábrica terá que isolar Rio Pomba O objetivo é impedir que os efluentes químicos continuem caindo no Rio Pomba e no Rio Paraíba do Sul e impedindo o fornecimento de água para cidades do Norte e Noroeste Fluminense. “Depois que o riacho for fechado, os produtos tóxicos devem ser bombeados de volta para o reservatório da empresa. A partir daí, a fábrica deverá eliminar os resíduos”, disse o presidente da ANA, Gerson Kelman, que passou o dia de ontem reunido com diretores da fábrica e o vice-governador e secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Luiz Paulo Conde. Pescadores perdem fonte de renda Em São Fidélis, os pescadores enfrentam o mesmo problema. “Ficamos quatro meses no defeso. A autorização para a pesca saiu no dia 15 de março, e agora acontece essa tragédia. Desse jeito a vida fica muito difícil”, reclama o pescador Aílton da Silva. Joacir Ferreira Gonçalves, outro pescador, contou que os projetos de repovoamento de lagosta, que estavam sendo desenvolvidos nos dois rios, também serão prejudicados. Produto deve ser diluído em 10 dias A Agência Nacional de Águas autorizou ontem que as represas
de Nova Maurício e Ituerê, em Minas Gerais, aumentem a vazão
de água nos rios Novo e Pomba,respectivamente. A represa de Funil,
no Estado do Rio, também vai aumentar a vazão do Rio Paraíba
do Sul. “O objetivo é aumentar o volume e a velocidade da
água para que os produtos tóxicos diluam mais rapidamente”,
disse o vice-governador.
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