08/04/2003 O delegado federal Carlos Pereira, da Divisão da Polícia Federal em Campos, foi a São Paulo para buscar Félix Santana. Pereira disse que o empresário será levado ao Rio e depois seguirá para Campos, provavelmente num helicóptero da Polícia Civil: - Se ele não se comportar, chegará algemado a Campos - informou o delegado. Para o promotor Marcelo Lessa, a prisão é
um marco no combate aos crimes ambientais: A governadora do Rio, Rosinha Matheus, disse que vai autorizar a empresa Águas do Paraíba a captar água do Rio Paraíba do Sul, em Campos, a partir de amanhã. Mas a ONG "O Centro Norte Fluminense para Conservação da Natureza", sediada em Campos há 25 anos, tenta impedir. A ONG entrou com ação na 1ª Vara Federal contra a governadora e sua equipe ambiental, pedindo a proibição da captação de água dos rios Pombas e Paraíba do Sul em todos os munciípios banhados pelos dois. Antes de saber da ação, a governadora explicou que a captação não significará a liberação da água, que depois de captada e tratada passará por um teste de laboratório para verificar oxigenação, nitidez e PH. O teste deverá ser acompanhado pela secretaria de Saúde do município. A mesma orientação será dada à Cedae, em São João da Barra. Rosinha fez duras criticas ao Ibama, que segundo ela, só entrou em cena cinco dias após o acidente e agora tenta responsabilizar o estado. No Espírito Santo, representantes da Secretaria estadual de Meio-Ambiente fizeram uma reunião de emergência para discutir que medidas tomar para conter a mancha tóxica que chegou ao litoral do estado. Os pescadores da região já foram orientados a suspender suas atividades. A mancha é resultado do vazamento de rejeitos tóxicos da fábrica Cataguazes de Papel no Rio Pomba, em Minas Gerais, que também atingiu o noroeste do estado do Rio de Janeiro. Ela entrou no litoral do Espírito Santo pelo município de Presidente Kennedy, que fica na divisa com o Rio. O Primeiro Preso por um acidente ecológico
no Brasil. Normalmente, segundo promotores, as punições para crimes ambientais são indenizações, multas e reparos, mas nunca chegam à prisão. Para o promotor Marcelo Lessa, a prisão de Santana servirá de lição para outras empresas. - Isso é um marco - disse o promotor. Diretor diz: “Poderá haver mais
vazamentos”. - Como eu poderia ser responsável por algo que não construí e não depositei? Se eu soubesse que alguma coisa estava errada, já teria tomado providência. A segunda barragem que está danificada já foi periciada e corre alto risco de se romper, mas o volume de resíduos depositados nela é menor - disse o diretor da Cataguazes. Santana, que é espanhol e mora no Brasil há cerca de 30 anos, disse trabalhar na Cataguazes há apenas seis meses. O executivo recebeu voz de prisão por volta das 8h30m, no cruzamento da Alameda Santos com a Pamplona, nos Jardins, região nobre de São Paulo. Ele havia deixado a casa de uma amiga, onde estaria hospedado. Segundo informações da PF, Santana afirmou que, por orientação dos advogados, deixou Cataguases e foi para São Paulo logo após o vazamento, ocorrido há dez dias. Apesar de ter residência em São Paulo, Santana estava hospedado no apartamento de uma amiga que não está na cidade. Ele não reagiu à prisão. À tarde foi transferido para a PF do Rio. Santana, que era dado como foragido desde sexta-feira, quando teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz da 1ª Vara Federal de Campos - bem como a de seu sócio João Gregório de Bem, que continua foragido - deverá ser levado na manhã desta terça-feira para Campos, onde responderá a inquérito por crime ambiental. Segundo o promotor de Justiça Marcelo Lessa, o executivo deve ficar preso no Rio, no Presídio Ary Franco, em Água Santa. Um dos advogados da Cataguazes, Cássio Felippo Amaral, disse nesta segunda que os rejeitos que provocaram o desastre ambiental são “uma herança macabra da Indústria Matarazzo, que fabricava papel e celulose no local”. Ele alegou que não havia motivo para Santana ser preso, uma vez que o executivo não é dono da empresa, tem residência fixa e não representa perigo para a sociedade. A 12ª Subseção da OAB e a Associação Comercial e Industrial de Campos pediram nesta segunda ao procurador da República Eduardo Santos de Oliveira o seqüestro dos bens dos responsáveis pelo despejo do material tóxico nos rios Pomba e Paraíba do Sul. O procurador deve encaminhar a ação conjunta nesta terça ao juiz da 1ª Vara Federal de Campos, Marcelo Luzia - o mesmo que decretou a prisão dos diretores da Cataguazes. Em Campos, os efeitos de seis dias sem água começam
a se acentuar. Embora a prefeitura esteja mobilizando uma frota de 50
carros-pipas e perfurando poços artesianos em pontos estratégicos
da cidade, a mais tradicional escola pública de Campos, o Liceu
de Humanidades, suspendeu nesta segunda as aulas por causa da falta d’água.
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