08/04/2003 População indignada pelo descaso com bens públicos, com a saúde pública, a inoperância das autoridades na gestão ambiental aumentando o nível de violência contra a vida em todas as suas expressões, num clima de desobediência civil instalada dentro do establishment brasileiro. Este o cenário de conflito que se expande entre todas as áreas, como os terríveis poluentes rio abaixo, exterminando em poucas horas um número de indivíduos maior que a recente guerra no oriente. Para aplacar a opinião pública, medidas de lana caprina são anunciadas por autoridades que demonstram desconhecimento sobre o assunto e subestimam a gravidade do problema, pensando em não alarmar uma população já acostumada com a ausência de políticas publicas para a área sócio-ambiental, ou talvez esconder a ineficácia de ações que transferem o problema potencializado e cada vez maior para as futuras gerações. Como diz a canção, o rio, sim, deságua no mar e é nesse para onde destinamos todos os nossos rejeitos, confiantes ainda em sua inesgotável capacidade de depuração. Ledo engano de uma espécie que se alterna entre a expressão mágica da vida e um comportamento virótico. Nossos mares já não têm a mesma transparência, no plano microscópio já não prevalece a abundancia do plâncton, os estoques pesqueiros já mostram os sinais de esgotamento. A qualidade da vida agoniza a jusante do rio Pomba, do Paraíba do Sul, a calha mortal vai serpenteando o liquido tóxico até ao mar. A atividade econômica totalmente comprometida por mais esse desprezo pela vida, entranhado no establishment brasileiro pela certeza da impunidade. Multas, notificações, nada diante do passivo ambiental acumulado com mais esse lançamento debitado a conta "provisão para devedores duvidosos", paga sempre pelos impostos da população que insiste em exigir uma cidadania utópica, uma cidadania ecológica, sistêmica e em harmonia com o planeta que habitamos, antes que seja tarde demais. Instrumentos econômicos - ecológicos sinalizam
a direção para o equacionamento e solução
deste enorme passivo ambiental nacional. IEE's devem motivar os agentes
econômicos a inserir suas atividades dentro de um contexto sustentável
e respeitando a capacidade de suporte dos ecossistemas, dentro de um contexto
de política ambiental que imponha ao poluidor - pagador a responsabilidade
pelo ressarcimento das externalidades negativas durante o período
de resiliência do ecossistema, além do custeio das despesas
com o monitoramento desses durante o tempo de recuperação. |