10/04/2003
Acidente Ambiental no Rio Murucupi
Manoel Maria de Morais - Presidente do Sindicato dos Químicos

O acidente ocorreu na semana passada. Entre a quinta e sexta-feira e veio a público a partir da manifestação dos moradores que vivem à margem do rio Murucupi.

O Rio
O Murucupi é o rio que corta a Vila dos Cabanos e que também cruza a área de influência das indústrias de alumínio às proximidades da bacia de rejeito de lama da Alunorte, além de estender-se por locais povoados como o bairro do laranjal. Em toda a extensão do rio Murucupi em menor ou maior grau, há a presença humana na condição de aglomerados urbanos ou de núcleos ribeirinhos.

O Acidente
Os fatos dão conta de que a partir de sexta-feira, 4 de abril, peixes começaram a boiar em vários trechos do rio. Relatos de ribeirinhos reclamam da coloração da água que "avermelhou" e que, em alguns momentos apresentava uma proporção exagerada de espuma, no curso do rio próximo ao depósito de rejeito da Alunorte, na localidade de Itupanema, depois, ganhou uma tonalidade escurecida.

Mais abaixo, a altura do bairro do Laranjal, famílias reclamam da coloração avermelhada da água, inclusive colorindo (contaminando) a mandioca que estava de molho. Há o caso de um morador do local que reclama de problemas de saúde adquirido após ter tomado banho no rio: ardor na garganta e vias respiratórias, outro caso, também no Laranjal, diz sentir queimação no corpo após tomar banho no rio. A própria comunidade que depende do rio para sobreviver, como precaução, está evitando consumir a água ou os peixes do rio Murucupi. Pela imprensa, órgãos oficiais de Meio-Ambiente orientam, também, a população para evitar contato com a água do rio .

As Reações
Equipes da imprensa local vieram à região e publicaram matérias na segunda-feira com a exibição de peixes mortos e depoimento da população. Desde o final de semana, órgãos ligados ao Meio-Ambiente estão na área e coletaram material nos pontos sugeridos pelas empresas (pontos de monitoramento de efluentes). Algumas explicações foram dadas, todas no campo das hipóteses, sendo que a partir dos resultados das análises da água, serão ou não confirmadas.

Informações Coletadas Pelo Sindicato.
O Sindicato dos Químicos de Barcarena, em reunião com representantes da Alunorte, na terça-feira, 8 de abril, pediu uma manifestação oficial da empresa com relação ao acidente. Em fax enviado ao Sindicato, no dia 9 de abril, às 15:25h a Alunorte afirma, taxativamente que, a partir de avaliações da Sectam e do Ibama, a empresa não tem nenhuma relação com o acidente.

O Sindicato dos Químicos durante todo o dia de hoje, 9 de abril, percorreu o trecho compreendido entre o bairro do Laranjal e o bairro de Itupanema e angariou relatos que põem em dúvida a taxatividade da Alunorte. Declarações de pessoas (que preferem ficar no anonimato) dizem elas, diretamente terem atuado na contenção do espraiamento de rejeito da bacia da Alunorte, no dia 4 de abril. Estas declarações reforçam a desconfiança nas afirmações da empresa. A alteração da coloração da água, de avermelhada, num primeiro momento, indicando dispersão de sólidos e de muito escura, adiante, pode indicar uma ação de neutralização química e uma outra ação de anti-espumantes, ambos para suprimir a nocividade da soda cáustica, substância abundante na bacia de rejeito da Alunorte. O caso do morador que se queixa de ardor nas vias respiratórias, no Laranjal, pode indicar um preocupante caso de intoxicação (ou queimadura química) por soda. A pouca objetividade ou ações de proteção para a comunidade preocupa enormemente todos os setores da sociedade local, já que se a fonte da contaminação for, realmente o depósito da Alunorte, estamos à beira de uma catástrofe.
Divulgação: João Carlos Gomes (Diretor de Comunicação - Associação de Consciência à Prevenção Ocupacional – ACPO www.acpo.org.br) Integrante da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
E-mail: johny65br@yahoo.com.br