| 02/04/2003
Desastre atinge 6 municípios e empresa é multada.
Biólogos acreditam que fauna e flora do rio levarão
10 anos para se recuperar.
O vazamento de 1,5 bilhão de litros de produtos químicos
produzidos por uma fábrica mineira matou o Rio Pomba. Segundo biólogos,
a fauna e a flora do rio deverão levar até 10 anos para
se recuperar. E o envenenamento da água já intoxicou animais
que vivem às margens do rio: cerca de 100 animais, entre cavalos,
bois, cães e gatos, em Santo Antônio de Pádua, no
Noroeste do Estado. Outros cinco municípios foram atingidos pelos
produtos que chegaram ao Rio Paraíba do Sul e, hoje à noite,
devem atingir a cidade de Campos, onde poderá ficar por uma semana
devido à maré. Não há registro de pessoas
contaminadas, mas especialistas acreditam ser inevitáveis casos
de intoxicação humana.
- É pouco provável que se consiga avisar a todos - avalia
o especialista em engenharia oceânica da Coppe/UFRJ, Paulo Rosman.
A empresa Cataguazes de Papéis - em município mineiro de
mesmo nome - cuja barragem se rompeu na sexta-feira à noite, provocando
o desastre ambiental, foi fechada pelo governo mineiro. Hoje, um laudo
técnico deverá definir o valor da multa aplicada pelos órgãos
ambientais daquele Estado. Ontem, a empresa já foi multada em R$
50 milhões pelo Batalhão de Polícia Florestal e de
Meio Ambiente do Rio.
Em Pádua e São Fidélis, o abastecimento de água
foi interrompido e o estado de emergência, decretado. Para suprir
65% da população de Santo Antônio de Pádua,
20 carros-pipa foram providenciados, e o secretário estadual de
Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, autorizou a perfuração
de oito poços artesianos. As aulas foram paralisadas, assim como
indústria e agropecuária. Cerca de 3 mil trabalhadores estão
parados.
Além de Santo Antônio de Pádua e São Fidélis,
os municípios de Aperibé, Cambuci, Itaocara e Miracema foram
atingidos e estão sem água. Em Campos, os canais de irrigação
foram fechados preventivamente. Rosman acredita que lá os efeitos
serão prolongados. Chegando ao mar, os produtos, menos concentrados,
ficarão por mais tempo porque o estuário sofre a retenção
da água e o material ficará sujeito aos movimentos da maré,
o que pode demorar uma semana.
Agência tenta acelerar rio
Projeto para trazer peixes de volta ao Pomba é destruído
A Agência Nacional de Águas (ANA) aumentou a vazão
de dois reservatórios do Rio Pomba e um do Paraíba do Sul
para que o material tóxico chegue mais diluído e rapidamente
ao mar. Segundo o presidente da ANA, Jerson Kelman, a expectativa é
de que isso ocorra na noite de hoje. Técnicos que analisaram o
vazamento afirmam que não há o que fazer a não ser
esperar que os produtos se diluam no mar.
Uma das maiores vítimas do desastre foi o Projeto Piabanha, desenvolvido
em seis municipios - dois deles atingidos pela mancha tóxica, Aperibé
e Santo Antônio de Pádua. O projeto, da Associação
de Pescadores e Amigos do Rio Paraíba, luta desde 1997 para aumentar
a população de quatro espécies em risco de extinção:
a piabanha, a pirapitinga, a grumatã e o surubim-do-paraíba.
Segundo o coordenador do projeto, Guilherme Souza, a população
de peixes foi praticamente eliminada, destruindo o trabalho realizado
e que, ano passado, soltou 120 mil alevinos. Segundo ele, serão
necessários até 10 anos para que a vida no rio seja restaurada.
Ambientalistas do Movimento Grito das Águas sugeriram ontem ao
Congresso Nacional a criação de uma comissão externa
que investigue a contaminação dos rios Pomba e Parnaíba.
O deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) já se pronunciou a favor, assim
como outros três deputados.
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