07/04/2003
Risco de novos vazamentos existe.


Apesar do bombeamento dos resíduos tóxicos, segunda barragem da Cataguazes Papel pode romper.
Apesar do governo do Estado de Minas Gerais ter começado ontem a fazer o bombeamento do excedente de resíduos tóxicos da segunda barragem da Cataguazes Papel para a primeira, restaurada no sábado, o risco de novos vazamentos nos rios Pomba e Paraíba do Sul são iminentes. Segundo o presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), Ícaro Moreno Júnior, os cerca de 120 milhões de litros de resíduos excedentes na segunda barragem a transformam em uma ''bomba-relógio'', que pode explodir a qualquer momento. A previsão de conclusão do bombeamento é de três meses.
- Não há risco de novo rompimento na primeira barragem. O perigo maior é a segunda - disse Ícaro. Segundo ele, estão sendo estudadas novas alternativas para diminuir o tempo de captação dos resíduos excedentes armazenados na segunda barragem, como a construção de um terceiro reservatório e o tratamento deste material tóxico.
O deputado estadual André do PV, presidente da comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) - que junto com a comissão de Turismo da Alerj vai se reunir hoje com os prefeitos de alguns dos municipios afetados pelo desastre ambiental - afirmou que o material armazenado na segunda barragem já está vazando.
- Se este reservatório explodir, a coisa vai ficar irremediável - declarou André, que sobrevoou a área da Cataguazes Papel.
O governo de Minas anunciou ainda que os 13 quilômetros de lama tóxica que estão armazenados nas margens do córrego Cágado também serão levados para a primeira barragem, por determinação da Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam).
Além da reunião que ocorre hoje na Alerj, na qual será formada uma comissão que irá a Brasilia tratar do problema na bancada federal, a Comissão de Direito Ambiental da OAB-RJ se reúne hoje para definir as medidas que serão adotadas para evitar novas conseqüências do desastre ecológico nos rios Pomba e Paraíba do Sul.
A mancha já chegou ao Espírito Santo. Segundo o presidente da Serla, em função da maré vazante que se inicia hoje, ela deve se dissolver, se deslocando mar adentro. Enquanto a macha não se dissipa as 21 praias da região continuam interditadas pela Feema . Ícaro informou ainda que a Serla, em parceria com a Agência Nacional de Águas, responsável pela tutela dos rios federais, vai fazer um levantamento detalhado de todas as empresas situadas no entorno da bacia do Rio Paraíba do Sul que possam vir a ter problemas com os reservatórios de resíduos tóxicos.